Covid-19: vacinação de menores de 12 anos avança apesar das polémicas
- Angela Pereira
- 23 de dez. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de jan. de 2022
A vacinação para crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 11 anos arrancou a 18 de dezembro em Portugal. Apesar da aprovação pela Agência Europeia do Medicamento, esta decisão divide opiniões públicas e de profissionais.

As vacinas administradas nas crianças são Pfizer/BioNTech (Comirnaty) e a dose pediátrica é reduzida, sendo equivalente a cerca de um terço da que seria usada num adulto. Todos estes parâmetros foram estabelecidos pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) que indica que a quantidade usada é tão eficaz quanto a dose maior que é administrada em jovens com idades entre os 16 e os 25 anos, de acordo com estudos feitos na área. A vacina tem duas doses e, de acordo com a Comissão Técnica de Vacinação contra a COVID-19 (CTVC), o intervalo recomendado é de seis a oito semanas.
A vacinação desta faixa etária recebeu um parecer positivo da Direção Geral de Saude (DGS) a 7 de dezembro. A recomendação surgiu na sequência da posição apresentada pela Comissão Técnica de Vacinação contra a COVID-19, que considerou que a relação risco-benefício era favorável para a administração da vacina. Contudo, esta posição está sujeita à evolução da pandemia e pode ser alterada caso se justifique.
Ainda assim, há opiniões contraditórias no que toca a vacinar os mais novos. Até à data em que a DGS anunciou publicamente a recomendação, vários profissionais de saúde, especialistas e a própria Ordem dos Enfermeiros deram um parecer desfavorável, requerendo uma maior evidência científica que comprovasse que a vacinação devia ser aplicada às crianças.
O agendamento para vacinação esteve aberto durante 3 dias e meio e contou com cerca de 77 mil pedidos online. Para a administração, as crianças são divididas por grupos de idades e direcionadas para datas específicas. Assim, o processo vai avançar progressivamente, começando nos mais velhos (10-11 anos) e terminando nos mais novos (5 anos). No entanto, as crianças com comorbilidades têm prioridade na vacinação independentemente da idade, tendo apenas de apresentar prescrição médica nos centros de vacinação.

As primeiras doses serão administradas até 23 de janeiro; as segundas, vão ser dadas entre 5 de fevereiro e 13 de março, tendo em consideração a data em que recebeu a dose anterior. O primeiro fim de semana (18 e 19 de dezembro) foi dedicado apenas às crianças com 10 e 11 anos, podendo incluir algumas com 9 anos. Entre 6 e 9 de janeiro é a vez das crianças com idades entre os 9 e os 7 anos. A 15 e 16 de janeiro são as crianças com 6 e 7 anos a receber a sua dose, sendo o processo finalizado com as crianças de 5 anos, nos dias 22 e 23 de janeiro.
Na União Europeia, vários países aderiram à vacinação de crianças nesta faixa etária, incluindo Espanha, França, Itália, Grécia e Hungria. Fora de território europeu, foi aplicada nos EUA, em alguns países do Médio Oriente e da América do Sul e na China, onde já se vacinavam crianças a partir dos 3 anos desde o verão.
Em setembro deste ano, o Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças tinha lançado a previsão de um aumento de casos entre crianças. Com o aparecimento da variante Ómicron e o recente aumento de casos, as autoridades de saúde voltaram a mostrar preocupações. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as faixas etárias entre os 5 e os 14 anos são, atualmente, as mais afetadas pela pandemia. Em Portugal, as crianças com menos de dez anos são o grupo etário com maior incidência de infeções.
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